“O que não pode ser ensinado, eu lhe direi: é a percepção da luz, é a apreciação artística dos efeitos produzidos por diferentes e combinadas qualidades de luz…
O que pode ser ensinado menos ainda é a rápida compreensão da personalidade do seu modelo,é a sensibilidade ágil que coloca em comunhão com o modelo…
O que também não pode ser ensinado é a integridade do trabalho: um genero tão delicado como a arte do retrato, é o fervor, a busca, a perseverança incansável na procura sem tréguas do melhor
Um retrato fotográfico é uma questão de interação; o charme e o entusiasmo do fotografo contagiam o modelo.”
Nadar
Conheci este texto nos tempos em que a Nathalia Guimarães, que foi minha assistente dos 16 aos 21 anos, ia na faculdade. Ás vezes ela me apresentava aos autores que ela estava conhecendo ao estudar Fotografia. Nunca fui á faculdade e nunca tive tempo de estudar fotografos e suas obras , e daí não tinha idéia do que já se havia escrito sobre coisas que eu sentia com a fotografia e não sabia dar nomes.
Esse texto do Nadar, sempre gostei bastante porque diz exatamente o que acontece comigo quando fotografo pessoas. (Adoro essa coisa de encontrar coisas que falam e expressam por nós)
Desde a primeira vez, que me vi diante de alguém com a câmera na mão, senti essa atração irrestível pela combinação luz e vida que emana do ser humano.
Eu penso que fotografar e ser fotografado(a) é uma “experiência” que pode contagiar ambas as partes se ambas estão plenamente entregues ao momento da foto.
Era com enorme satisfação que ouvia muitas vezes de pessoas que havia acabado de fazer um ensaio um “que pena, já acabou?” – Digo “ouvia” porque isto acontecia mais no tempo onde eu atuava fazendo apenas retratos.
Passava em média 3 horas com uma pessoa para fotografar 2 filmes ou seja, 72 fotos. Era uma procura pela beleza , mas não essa beleza que está no rosto, no corpo ou nos cabelos como é fácil encontrar numa linda modelo, mas a beleza intrínseca que carregamos cada um de nós á nossa maneira. Uns deixando transparecer menos e outros mais …
Tenho ascendente em Libra, por isso admirar a beleza, a harmonia e o equilíbrio é um prazer extra que a vida me dá. Agradeço todos os dias este dom abençoado de ser feliz em muitos momentos apenas pelo prazer de “ver” – a vida e principalmente as pessoas. Lá vai algumas fotos antigas desse tempo em que a minha de vida de fotógrafa era tão simples, onde me bastavam a luz, uma pessoa e câmera.
Inspirado no texto inicial da revista FHOX Janeiro/Fevereiro 2003: “Você ama o que vende?”
Voltei de alguns dias de férias de fim-de-ano pensando “quais os planos para 2012?”
Uma pergunta difícil de ser respondida por mente tão viajante e criativa quanto a minha, há sempre mil idéias na minha cabeça.
Alguns problemas técnicos de informática nos deixaram sem acesso à internet e a todo o trabalho nesses primeiros dias, então Lily e eu sentamos para planejar. Como acredito que nada é por acaso, essa reunião sempre adiada talvez fosse adiada novamente se não estivéssemos sem computadores para trabalhar.
Nossa boa conversa rendeu uma meta pessoal para este ano que se inicia: quero continuar fazendo o que sou apaixonada de forma ainda apaixonada. O mundo que vivemos hoje, em alta velocidade, nos faz acreditar que tudo tem que se transformar na velocidade da luz, que tudo pode e deve ser tecnologicamente resolvido, que tudo haverá de ser “digital” …. Por mais que eu lute contra, sinto que tenho deixado me influenciar pela tendência mundial de fazer tudo em alta escala e cada vez mais rápido, uma rapidez no mundo, na vida, que nos anestesia de certo modo o “sentir”… na fotografia, sinto que tira um pouco do brilho do amor presente em tudo, tornei-me apressada para ver.
Ainda sem computador, resolvi pegar uma revista FHOX para ler, uma revista especializada em fotografia de 10 anos atrás. Curiosamente, o texto inicial falava sobre como o amor é parte essencial da fotografia “(…) fica evidente que trabalhamos com um produto respirando a palavra amor a todo momento”.
A essência da fotografia, para mim, é registrar a emoção das pessoas, tanto quando fotografo eventos, em que as pessoas estão felizes em comemorar algo, tanto quando fotografo retratos de homens e mulheres, extraindo em suas expressões corporais o que há de melhor, o amor que existe dentro de cada um.
A revista ainda diz: “Acredite, amigo leitor, não há história, técnica, receita acadêmica e até mesmo toneladas de dinheiro que superem uma regra determinante para o desempenho acima da média: a paixão pelo que se faz. A paixão pelo que se vende!”
E essa é minha meta para 2012, conseguir “abaixar o volume” desse barulho estridente que é a vida numa correria e retornar ao que me fez chegar até aqui: o amor e paixão pelo que faço com tempo para perceber , olhar, ver, rever e sentir tudo o que está á minha volta !
Daí você me pergunta: como atingir essa meta?
Vou “parar” para a pausa, o descanso. Vou buscar o tempo para contar as histórias fotográficas com calma e com o perfeccionismo que desejo .
Vou trabalhar com muito prazer para quem ainda valorize a arte, a vida um pouco mais “analógica” ; para quem não queira correr tanto, para quem não me imponha prazos, porque a arte não pode ser feita sob pressão de prazos; para quem queira fazer festas á luz do dia com convidados íntimos e muito pessoais, para quem queira no espaço de um ano ter poucos, porém profissionais retratos de sua família; para quem queira ter o capricho de ter lentes discretas, espontâneas, alegres, claras e sentimentais para captar seu estilo de vida familiar… Isso é tão único, tão personalizado, tão a minha cara!
É isso aí: Nasci para fazer difente e para fazer diferença! Para dar o melhor de mim, só porque é muito bom dar e receber o melhor. E para continuar a buscar a excelência, o desempenho acima da média, devo reconhecer os meus limites e fazer menos, menos que se transformará em mais.
Este ano de 2012 será realmente o ano da mudança de paradigmas para mim: - Minha tão fiel escudeira Nathalia se muda para a França com marido e sobrenome de fotográfa para provar na terra do “Ulálá” que o jeitinho nosso tão brasileiro é muito gostoso de ser; o Sebastien, seu marido, um amigo de tantas horas incertas, um assistente que eu tive por este ano que passou, que mais me ensinou do que aprendeu, um mestre a sua maneira que também parte; a Lily minha amada filha e também fiel companheira por tantos anos, que desde menina sabia o que era um negativo e o que fazer com ele, que quando cresceu, dividia-se entre a Faculdade de musicoterapia e ser a minha gerente para ajudar a dar conta de tantos processos de fazer álbuns e livros á altura do que eu chamo “perfeito”, ela vai ser mais MUSICOTERAPEUTA e menos gerente; todas as meninas , secretárias de todos os nomes que passaram por mim e mesmo tentando a sua maneira, partiram sem conseguir acompanhar minha cabeça que tinha uma idéia diferente a cada minuto.
Portanto queridos amigos e clientes este ano será o ano em que o estúdio “CONTANDO HISTÓRIAS” será simplesmente a minha casa. O lugar onde você vai sempre encontrar a Iris fotógrafa, a editora apaixonada por histórias com imagens, a mãe de duas meninas que cresceram e viraram mulheres lindas e independentes, a Iris amiga que adora conversar horas sobre tudo quanto é coisa, que adora ouvir histórias e mais histórias, a Iris que agora escreve suas histórias , escreve como fala, portanto perdoem meus erros de gramática, a Iris mulher apaixonada e romântica que faz as cores e movimentos da sua vida se transformarem em emoção. Emoção que vai direto ao caminho que sempre pode mudar o mundo: o coração.
Nesta época do ano, nos ocupamos com as compras de natal, a organização da ceia, dos encontros familiares, os amigos ocultos , happy hours… depois de abertos os presentes, dias de férias , reflexões e momentos daquele tão sonhado “tempo para fazer um monte de coisas que não faço porque não dá tempo”
No meu caso, a tranquilidade é real, pois a maioria dos meus clientes só voltam a pensar em álbuns de fotografia no mês de fevereiro. Vou aproveitar para selecionar e tratar as fotos que quero postar aqui no blog. Nesta minha vida de fotógrafa, sempre tive um apego carinhoso á muitas fotografias, imagens de festas, de pessoas, de lugares, de coisas… cada uma cristaliza uma emoção, e como sou do mundo da emoção, isto vai ser um prazer muito grande.
Como cartão de ano novo posto este que mandei aos meus clientes e amigos no fim do ano passado que sem nenhuma culpa repito aqui porque adoro essa imagem e porque meus desejos ainda são os mesmos.









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